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Austrália

Fui ao outro lado do mundo ver como se faz e se vive o vinho na Austrália!

 

Há muitos anos que a Austrália estava no topo da minha lista de viagens. Este ano, o vinho foi o pretexto para realizar um sonho antigo.

Três semanas no outro lado do mundo. Passei por Sydney e Melbourne, dei um salto à Tasmânia e terminei a viagem em Adelaide e nas regiões de vinho em seu redor.

O enoturismo na Austrália é um pouco diferente daquilo a que estou habituada: não é comum visitar as adegas com um guia, que nos conta a história do local e completa a visita com uma prova de vinhos escolhidos a dedo. Aqui, o que funciona, e bem, são as cellar doors: loja e sala de provas, de portas abertas a semana inteira, para dar a provar todos, ou quase todos, os vinhos que produzem. E a melhor parte? A prova é gratuita na maioria das adegas!

É verdade que adoro conhecer as vinhas e as instalações, falar com o enólogo, tudo isso. Mas desta forma provamos mais vinhos e conhecemos mais adegas num só dia! Eu, por exemplo, visitei quatro cellar doors por dia, e em cada uma provei à volta de dez vinhos (alguns fortificados). É fazer as contas…

Dividi a minha wine trip em três vales: Clare, Barossa e McLaren.

CLARE

Clare trouxe da Alemanha a Riesling e fez dela a casta da região. Num vale de dias quentes mas noites frias, encontramos vinhos muito frescos e frutados – não só os brancos, mas também tintos, como os Shiraz e Tempranillo.

As vinhas são bonitas e estão muito bem cuidadas. Façam uma caminhada pelo Riesling trail ao fim da tarde para gozar os ares do campo. Com sorte, cruzam-se com uns cangurus, que partilham comigo o gosto de andar entre vinhas!

Recomendo as adegas onde fui mais bem recebida, onde bebi os melhores vinhos e onde o pessoal sabia falar de cada vinho que era servido:

Jim Barry – o melhor lugar em Clare para provar Rieslings. Desde os mais jovens àqueles com mais idade, aqui percebe-se bem o grande potencial desta casta.

Knappstein – começou por ser uma cervejeira, mas hoje também se dedica à produção de vinhos. A julgar pelo que provei, parece-me uma boa decisão!

 

Sevenhill – das mais antigas adegas de Clare. Foram os monges que começaram a produção de vinho aqui. Não deixem de visitar a adega de barricas na cave da cellar door.

 

Tim Adams – peguem num copo de “The Aberfeldy” Shiraz e sentem-se na varanda a aproveitar o sol e o silêncio deste lugar.

 

Reservem uma noite para jantar no Seed, o melhor restaurante de Clare. Tem uma longa lista de vinhos australianos e internacionais, a decoração é acolhedora e a comida é deliciosamente bem servida!

Seed

BAROSSA

Barossa Valley é lindo! É verdade que é a região mais turística das três, mas não deixa de ser deslumbrante. As cellar doors estão bem arranjadas, as vinhas impecáveis, o turismo controlado.

Com um clima muito próximo ao nosso Alentejo, provei excelentes Shiraz (e eu que nunca fui grande fã desta casta cá em Portugal…), a casta tinta mais apreciada em Barossa. Também encontrei muito Cabernet Franc e Granache nos vinhos tintos e Pinot Gris ou Chardonnay nos brancos.

Mais uma vez, as minhas adegas preferidas foram aquelas onde o ambiente de prova era bom e o pessoal tinha bom conhecimento de vinhos:

Artisans of Barossa é o que acontece quando 6 pequeno produtores se juntam num só espaço para dar a provar os seus criativos e inovadores vinhos

 

Yalumba – fundada em 1849, é a adega familiar mais antiga da Austrália e uma das cellar doors mais bonitas que visitei!

 

Penfolds – talvez dos maiores produtores da Austrália, com quase dois mil hectares de vinha espalhados por todo o país, este produtor não deixou que a quantidade prejudicasse a qualidade dos seus vinhos.

 

Turkey Flat – um antigo talho deu lugar a uma acolhedora cellar door, onde provei um vinho Mataro (ou Mauvedre) que adorei!

 

Rockford – enquanto todas as adegas se modernizaram com equipamentos de inox, a Rockford recuperou todos os equipamentos tradicionais de vinificação, fazendo desta adega um museu vivo.

 

Hentley Farm – a prova faz-se na primeira sala, mas não deixem de entrar por aí adentro e espreitar a sala da lareira e outros recantos da casa.

Só em Seppeltsfield fiz uma visita guiada pela propriedade. Fiquei a saber mais da história da adega, fundada em 1850 pela família Seppelt, que faz parte da história da própria região. Este é talvez o mais completo enoturismo de Barossa: além da cellar door e da loja, tem um restaurante de fine-dinning, uma galeria de arte e jardins a perder de vista.

A estrada que nos leva até lá já vale a pena a visita! Falo da Seppeltsfield Road, uma das mais fotografadas estradas de Barossa, famosa pelas centenas de enormes palmeiras plantadas ao longo de vários quilómetros de alcatrão, curiosa paisagem no meio de uma vastidão de vinha.

Seppeltsfield Road

 

Se tiverem energia, vão andar de bicicleta. Barossa by bike, dizem os mates, pedalar em trails de vinhas e adegas. Como me estava a sentir corajosa, fiz para cima de trinta quilómetros numa tarde. Fiquei de rastos, mas fazia tudo outra vez! No passeio, ainda descobri uma queijaria, com queijos maioritariamente da região de Barossa. Na Barossa Valley Cheese Company, fazem provas de queijos gratuitas e ainda dão desconto aos ciclistas que queiram levar um queijo para o caminho!

Barossa by Bike

McLAREN

Ainda bem que guardei a última manhã da minha wine trip para ir a McLaren Valley, a sul de Adelaide e a menos de dez quilómetros do mar. Aqui visitei apenas duas adegas que apostaram na diferença e produzem castas poucos comuns na Austrália.

Na Coriole, além de uma boa variedade de castas italianas (Nero Amaro, Barbera, Sangiovese), provei um vinho da Geórgia, num cenário todo campestre, rodeada das flores e ervas aromáticas que crescem nos jardins da cellar door.

Coriole

 

S. C. Pannell

Surpresa das surpresas, fui encontrar na S. C. Pannel a nossa Touriga Nacional, acompanhada da Mataro e da Grenache. Garanto que eram óptimas companhias! Posto isto, levei o meu vinho para a esplanada e ali fiquei algum tempo em silêncio, contemplando as 48 horas de avião que tinha pela frente.

Foram seis dias exclusivamente de enoturismo. Mas tantas adegas ficaram por visitar, tantos vinhos por provar… No fundo, só preciso de uma boa desculpa para voltar à Land Down Under!

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