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BEIRA INTERIOR II

Novamente a Beira Interior a surpreender-me…. turismo, gastronomia e vinhos a explorar!!

 

Quando escrevi pela primeira vez sobre a Beira Interior aqui, disse que esta região era ainda pouco conhecida como destino enoturistico, mas que me tinha muito para explorar.

A verdade é que, depois de 2 anos, voltei ao interior e passei por novos lugares, novas aldeias e mais uma vez fiquei rendida a esta paisagem agreste, rochosa, fria (muito fria!!!) e coberta das cores de Outono.

Casas do Côro

Desta vez fiquei a dormir uma noite na aldeia de Marialva – uma das encantadoras Aldeias Históricas de Portugal – rodeada por muralhas centenárias. Dentro de paredes graníticas encontram-se as Casa do Côro, onde se afirma com orgulho “Life is Here!”

Aldeia Marialva

Situado bem no topo de Marialva, este boutique hotel abriu em 2001 pela mão de Paulo e Carmen. O casal fez deste lugar a sua casa e a de muitos viajantes curiosos que, explorando o interior do país, chegam até aqui! Foi o que eu senti quando naquela noite fria de Novembro cheguei à sala de jantar e o calor da lareira me deu as boas vindas.

Casas do Côro

As mesas estavam impecavelmente preparadas, como se da mesa de consoada se tratasse, e começámos por uma prova dos vinhos da casa. As Casas do Côro é o que se pode chamar um projecto de enoturismo “ao contrário”. Começou por ser um turismo rural numa aldeia histórica, mas com o tempo quiseram acrescentar algo mais a este espaço e deu-se inicio ao projecto de vinhos.

Aqui, Paulo e Carmen, desempenharam um papel importante na reabilitação de algumas vinhas velhas assim como dinamizar a actividade vitivinicola da região ao comprarem uvas de produtores locais.

Convidaram então dois conceituados enólogos: da Beira Interior, Rui Roboredo Madeira e do Douro, Dirk Niepoort. O resultado foram diversos vinhos produzidos com as castas típicas de região, beneficiando das condições únicas e privilegiadas das vinhas de altitude – aqui plantadas a 600m de altitude.

Mineralidade e acidez são as palavras chave destes vinhos. Provei então o Casas do Côro Branco DOC 2016 feito à base de Siria casta muito floral e Fonte Cal que lhe confere complexidade. Vinho muito fresco, com notas de casca de limão.

Já o Casas do Côro Tinto DOC 2014 combina a Tinta Roriz, Touriga Nacional e Jaen. A fruta madura juntamente com toques balsâmicos, fazem deste um vinho fresco e equilibrado.

As Casas do Côro têm 31 quartos, todos diferentes mas todos com uma decoração muito caseira e acolhedora. Do meu quarto, tive a sorte de acordar com esta vista:

Ainda pela Beira Interior, revisitei a Quinta dos Termos. Há dois anos quando lá fui chovia torrencialmente….. desta vez tive mais sorte pois o sol brilhava intensamente e assim consegui ver o mar de vinhas, agora em tons laranja e amarelo, que se estende por toda a quinta.

Quinta dos Termos

Quem conduziu a visita foi João Carvalho que pertence à 5ª geração de uma família produtora de vinhos na região. João ainda tentou desviar-se do ramo ao dedicar-se à industria têxtil achando que não voltaria à vida de campo, mas o destino queria mesmo que ele desse seguimento ao negócio da família e hoje passa o seu tempo entre tecidos e uvas!

Mas isto da produção de vinhos na Beira Interior não é de agora….. junto à entrada da nova adega, João mostrou uma lagareta (pequeno lagar de vinho) datada entre os séc. V e VII e acrescentou que, mais tarde na época dos Descobrimentos, muitos dos nossos navegadores eram desta região do país e por isso levavam consigo nas caravelas vinhos daqui, que pela sua estrutura e acidez tinham capacidade para aguentar as longas viagens!

Depois da visita à adega, a prova continuou no restaurante D. Sancho, na Aldeia Histórica de Sortelha. Aqui, uma deliciosa caldeirada de cabrito e uma divinal cabidela de lebre – pratos assinatura desta casa! – foram perfeitamente regados com o meu vinho de eleição da Quinta dos Termos: Baga 2011.

Esta casta tem realmente o dom de nos impressionar e a Quinta dos Termos, com a ajuda de Virgilio Loureiro, conseguiram criar um vinho cheio de vida, fruta madura com tons secos de cacau, uma acidez equilibrada e muito elegante.

Enfim…… como não há duas sem três (ou mais) com certeza vou voltar à Beira Interior. Adoro esta região, mas como detesto frio acho que já sei onde vou passar as próximas férias de Verão!!

 

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