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Vinhos Barbeito

A Barbeito anda desde 1946 a marcar os vinhos da Madeira com criatividade e irreverência!

Estou sempre a dizê-lo, mas repito: o enoturismo faz-nos ver os vinhos com outros olhos. Faz-nos perceber tudo o que se passa dentro “daquela” garrafa que bebemos em casa. Faz-nos ver que o vinho não é apenas uma bebida, mas o fruto de um longo trabalho de uma equipa, uma família, uma comunidade… Que dentro de cada garrafa há uma história de dedicação.

E veio isto a propósito do quê? Pois bem, da minha ida aos Vinhos Barbeito, na bela ilha da Madeira.

No alto de Câmara de Lobos, a poucos minutos do Funchal, está a casa da Barbeito. Apesar de ter sido fundada apenas em 1946, a paixão pelo vinho já está na família desde muito antes.

Fui recebida pelo Leandro, que me levou a conhecer a adega, construída em 2008, onde não faltam equipamentos nem tecnologia para produzir um vinho Madeira de grande qualidade. A Tinta Negra – em tempos uma casta mal-amada na ilha – é a mais acarinhada na Barbeito, e aquela que predomina nos vinhos da casa. Mas também não faltam a Malvasia, a Verdelho, a Sercial, a Boal… Ou seja, os clássicos deste vinho fortificado.

Enquanto passeava pela adega (bem ventosa, por sinal; levem agasalho), tive a sorte de assistir à preparação das novas garrafas do Malvasia 1957 e do Verdelho 1981. Num processo artesanal e de muita precisão, as garrafas são primeiro pintadas a stencil, com o recorte das letras a delimitar a tinta branca. Depois de a tinta secar ao sol, limpa-se as imperfeições, letra a letra, com a ajuda de uma navalha bem afiada. Aqui se vê o carinho por detrás de cada garrafa Barbeito!

Seguimos para a loja e sala de prova. Não tive mãos a medir, com tantos vinhos que me deram a provar! Eram à volta de 20 garrafas diferentes. E a prova fez-se na esplanada, descansando os olhos no mar e na cidade do Funchal.

Por serem menos doces do que me habituei nos vinhos Madeira, pela sua salinidade suave mas agradável, e pela inesperada frescura e acidez no fim de boca, estes foram os meus favoritos:

Boal 1995 Frasqueira

30 anos Malvasia

20 anos Tinta Negra Ribeiro Real

Tinta Negra 1950

Verdelho 1885

Entretanto, o Leandro convida-me a ir espreitar o laboratório. Foi aí que encontrei os enólogos Ricardo Diogo Freitas e Nuno Duarte, de volta de copos e provetas (cada um com a sua casta, vinha, parcela, ano de colheita, etc.), literalmente metendo o nariz em tudo, concentrados nos cheiros, sem pestanejar. Fiquei a observá-los por momentos. Parece fácil, a arte de encontrar a combinação perfeita para um vinho de excelência. Mas não é: poucos acertam no equilíbrio, na qualidade, mas acima de tudo na irreverência e criatividade que tem caracterizado os vinhos desta família ao longo de três gerações.

Que tarde especial… Que privilégio, ter estado nos bastidores da produção de vinho da Madeira. Mas é como diz o enólogo Ricardo: o vinho da Madeira não deve ter segredos para ninguém!

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