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É uma das mais pequenas regiões de vinhos do país e as suas vinhas nascem da areia, estou a falar de Colares!

 

 

Confesso que a região de vinhos de Colares é uma das que mais me fascinam no país.

E para vos explicar porquê tenho de ir até a meados do século XIX… Por essa altura, chegou à Europa uma praga, vinda das Américas, chamada filoxera, que destruiu grande parte das vinhas em França, Itália, Portugal e um pouco por todo o mundo. Esse pequeno insecto atacava as vinhas pelas raízes. E foi precisamente por isso que as vinhas de Colares conseguiram sobreviver: plantadas em grande profundidade em solo de areia, estavam num ambiente muito pouco atraente para aquele bichinho. A profundidade da plantação protege as vinhas dos ventos marítimos, da brisa salgada e da humidade.

Para descobrir mais sobre as vinhas e os vinhos de Colares, fui visitar duas adegas na região.

Adega Regional de Colares

 

ADEGA REGIONAL DE COLARES

É a adega cooperativa mais antiga do país: abriu portas em 1931, com o intuito de estabelecer a região como produtora de um vinho único e de qualidade, cuja tradição se dizia vir já do tempo dos romanos. Durante mais de 50 anos, esta adega teve exclusividade na produção do vinho de Colares. Hoje, apesar de haver mais adegas produtoras, continua a reunir a maioria dos produtores da região.

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Adega Regional de Colares

Quando entrei naquele longo edifício à beira da antiga linha de comboio, fui recebida por Francisco Figueiredo, enólogo responsável da adega. Enquanto preparava a prova de vinhos, Francisco deixou-me à vontade para passear pela adega, na interminável sala de barricas onde dezenas de tonéis de madeira de mogno me observavam silenciosamente.

Ali provei não só os tradicionais vinhos de Colares, mas também os chamados vinhos de chão rijo, ou seja, o chão de terra a que estamos habituados a ver por todo o país. Gostei muito do Chão Rijo tinto, feito com Castelão e Tinta Roriz, com muita fruta vermelha a preencher o palato.

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Adega Regional de Colares

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Adega Viúva Gomes

ADEGA VIÚVA GOMES

A história desta adega de Almoçageme esconde-se por detrás de uma fachada de lindíssimos azulejos azuis. Aqui fui recebida por José Baeta, o actual proprietário, que gere a adega há cerca de 30 anos. José contou-me que a dita viúva, de quem ninguém sabe o nome, tendo perdido o marido muito cedo, tomou as rédeas do negócio – mostrando que já em 1808 havia mulheres com garra.

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Adega Viúva Gomes

Toquei à porta e entrei por uma pequena porta de madeira directamente para a loja, onde as antigas estantes de madeira e vidro me fizeram sentir num cenário dos anos 20. Descendo umas escadas estreitas, deparei com uma respeitosa cave de barricas onde o cheiro a humidade e madeira antiga se fazia sentir sem cerimónia.

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Adega Viúva Gomes

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Adega Viúva Gomes

Foi neste ambiente a meia luz e cheio de história que José me deu a provar os ex-líbris da Viúva Gomes: o Malvasia 2014 e o Ramisco 2007. O Malvasia destacou-se pelo delicioso sabor a frutos secos e um final de boca salgado. Sim, o vinho tem salinidade porque as vinhas plantadas junto ao mar absorvem a brisa marítima! No Ramisco, encontrei notas de ginja madura e terra (e todos sabemos o que isso é… quem nunca comeu terra em criança?). Estes aromas, misturados com a delicada madeira onde envelheceram, criam vinhos incomparáveis e que precisam de alguns anos para revelarem o melhor de si.

São vinhos controversos; ou se odeia ou adora! Mas ninguém fica indiferente à história, às centenas de anos de conhecimento e experiência que se podem saborear numa garrafa de vinho de Colares.

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