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José de Sousa é das adegas mais antigas no Alentejo e preserva a tradição ancestral do vinho de Talha

Já a José Maria da Fonseca existia há mais de 150 anos, quando a família Soares Franco teve a oportunidade de adquirir a Adega José de Sousa.

A ideia de expandir a produção de vinhos para outras regiões, além da Península de Setúbal, já era um desejo de longa data. O sonho realizou-se finalmente em 1986, mais concretamente no Alentejo, onde já existia uma forte relação emocional.

Mas a história desta adega remonta na verdade a 1878, fazendo deste um dos mais antigos produtores de vinho no Alentejo.

Desde o início que aqui se produz vinho de talha. Ainda hoje se encontram 114 imponentes talhas dentro da “Adega de Potes”, mantendo viva uma tradição iniciada pelos Romanos há mais de 2000 anos.

Por essa razão, a adega considera-se uma guardiã do vinho de talha, técnica que, com o tempo, a família Soares Franco aprendeu a ganhar mais e mais respeito.

Vinificação em Talha

O essencial da vinificação em talha pouco mudou, desde esse tempo. Neste processo, as uvas previamente esmagadas a pé são desengaçadas numa mesa de ripanço.

Depois, o mosto da uva, as películas e alguma parte do engaço são colocados dentro das talhas de barro, onde a fermentação ocorre espontaneamente.

De seguida, o vinho branco é retirado e colocado numa nova talha. Já o tinto é retirado da ânfora e estagia parte em tonéis de madeira de castanho e parte em talhas.

É um processo artesanal e natural, muito importante no Alentejo

Para além da adega tradicional, abaixo do nível do solo, com as ânforas e dois lagares para a pisa, existe ainda uma adega moderna. Esta já tem cubas de inox e toda a tecnologia indispensável para a vinificação de tintos e brancos.

Um dos vinhos que provei durante a minha visita à Adega José de Sousa foi o José de Sousa Reserva 2017, feito com Grand Noir, Syrah e Aragonez.

Um vinho seco, com tanino vincados e boa acidez. Sabor a fruta preta madura, como uva passa e ameixa, e alguma especiaria. Depois de fermentado em ânfora passa por barrica de carvalho francês e americano.

Mas o que me levou à adega nesse dia foi mesmo o lançamento do seu topo de gama: J de José de Sousa 2017.

Sentei-me à mesa, debaixo de um majestoso sobreiro, rodeado de vinhas da Herdade do Monte da Ribeira. Rapidamente os pratos encheram-se de queijos, enchidos, pão, gaspacho e uma excelente paella Valenciana, feita no momento, para acompanhar a estrela do dia.

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J de José de Sousa 2021

Feito a partir das castas Grand Noir – pouco comum no Alentejo, mas com características semelhantes ao Alicante-Bouschet – Touriga Francesa e Touriga Nacional, provenientes de vinhas velhas e de solos graníticos.

Primeiramente, as uvas são pisadas a pé num pequeno lagar e colocadas nas centenárias ânforas de barro a fermentar. Depois estagia 9 meses em meias pipas de carvalho francês. Desta forma estima-se aguentar bem em garrafa, pelo menos vinte anos!

Um vinho cheio de personalidade, com cor rubi, aroma a alcaçuz, ameixa preta seca e chocolate negro, final muito persistente com taninos equilibrados.

Este vinho nasceu em 2007 e é apenas lançado em anos extraordinários, que foi ocaso de 2017. Esperemos que assim seja o 2021!

A ideia de criar o J de José de Sousa, surgiu no momento em que Domingos Soares Franco sentiu, pela primeira vez, o cheiro daquela terra e viu as cores das suas vinhas. Quis então representá-los numa garrafa de vinho.

Confessa que teve que aprender mais sobre a arte de vinificar em talha, da qual sabia pouco. Hoje esta técnica é o que torna a Adega José de Sousa tão única.

A Adega está também aberta a visitas de Enoturismo.  De terça a sábado (encerra domingo e segunda) organiza visitas guiadas, provas de vinhos e petiscos. Por marcação ainda podem preparar almoços de grupo.


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