Caminhos Cruzados é o mais recente projecto de vinhos da região afirmando-se como o “novo Dão” – um Dão jovem, moderno e arrojado

 

Quando soube que tinha aberto uma nova adega design de um recente produtor do Dão, fiquei logo curiosa. Curiosa ao ponto de me meter no carro e sozinha conduzir quase trezentos quilómetros até Nelas, só para conhecer a Caminhos Cruzados.

E valeu muito a pena! Cheguei pela hora do almoço onde a Ligia e o pai Paulo me esperavam com uma mesa recheada de boa comida e alguns dos seus dez vinhos.

Foi entre os enchidos e queijos, o bacalhau assado com batatinhas e uns quantos brindes, que conheci a história deste projecto familiar.

Caminhos cruzados é o novo dão

É, de certa forma, o caso clássico de uma paixão que fez mudar vidas. Embora a família não tenha raízes profundas no negócio do vinho, os proprietários da Caminhos Cruzados hoje levam este projecto familiar muito a sério.

Quando começaram em 2012, a família usava uma adega muito pequena e antiga, para produzir o vinho. Mas à medida que os negócios cresciam, a necessidade de um espaço maior tornou-se óbvia.

Pai e filha deixaram seus empregos na cidade e mudaram-se para o campo, onde abraçaram a sua nova vida. Ligia deixou uma carreira bem-sucedida na advocacia e Paulo divide seu tempo entre o negócio de tecidos e os vinhos. Os dois caminhos acabaram por se cruzar no Dão, onde a família tem suas raízes.

Caminhos cruzados enoturismo

O edifício da nova adega, inaugurada em 2017, é sem dúvida, a imagem de marca da Caminhos Cruzados. Desenhada pelo arquitecto Nuno Pinto Cardoso, esta tem a forma das duas linhas, dos dois caminhos, que se cruzam num destino comum: o vinho.

Caminhos cruzados enoturismo Dão

Inserida na Quinta da Teixuga – também o nome do seu topo de gama – a adega design destaca-se por entre as vinhas, umas novas outras velhas com mais de 50 anos!

São cerca de 42 hectares de vinha onde se encontram castas nacionais e internacionais mas claro que com o Dão bastante bem representado!

Tinta Roriz, Touriga Nacional, Alfrocheiro e Jaen nos tintas e Encruzado, Malvasia-Fina e Bical nas brancas, são as castas que não podiam faltar e que estão presentes em todos os vinhos deste produtor.

Caminhos cruzados vinhos

Com a assinatura da enóloga residente Carla Rodrigues e os enólogos Manuel Vieira e Carlos Magalhães, são vinhos autênticos e modernos, verdadeiros embaixadores da identidade do Dão.

Com o bacalhau do almoço, por exemplo, provei o vinho Reserva Encruzado: Encruzado, a grande casta branca do Dão, conhecida pelos seus aromas florais.

O carvalho francês dá-lhe um bom corpo para ser saboreado com o bacalhau, sendo ao mesmo tempo um vinho fresco, com mineralidade e excelente capacidade de evolução.

Caminhos cruzados vinhos Dão

Caminhos cruzados vinhos Dão

 

Com a sobremesa, provei o Descarada. Este é um vinho branco doce produzido a partir das castas Semillon e Chardonnay, num ano muito quente, razão pela qual as uvas atingiram alta concentração de açúcar.

Por ter sido vindimado em finais de Agosto, a acidez do vinho é elevada, mas ainda assim muito doce originando um estilo “colheita precoce”!

Sabe a ameixa branca bem madura, já melada e a jasmim ao fim da tarde. Uma delícia!

Caminhos cruzados vinho Descarada

Na loja, estão à venda todos as referências da Caminhos Cruzados: cinco referências na gama Titular, dois na gama Teixuga e três na gama Caminhos Cruzados.

Também este espaço foi desenhado e decorado de forma moderna de acordo com todo o espírito da adega, com luz natural e vista para a vinha, como se quer.

Caminhos cruzados loja de vinhos Dão

O enoturismo aqui também está bem pensado e organizado!

Além da clássica visita à adega com prova de vinhos, na Caminhos Cruzados também podem ser “Enólogos por um dia”, jogar ao “Jogo de aromas”, fazer um piquenique ou até uma caça ao tesouro na vinha. Há, portanto, actividades para todos o gostos e idades.

Ligia foi uma excelente anfitriã! Mostrou-me os cantos à casa – entenda-se adega e vinhas – e explicou-me como a sua vida mudou para melhor. Da adaptação que foi, e de como está a ser, recompensante!

O vinho tem destas coisas… apaixonamo-nos pela sua cultura, pela sua origem e o que inicialmente é apenas um namorico acaba numa relação séria para o resto da vida” Dizia-me em tom de confissão, na despedida antes de voltar para Lisboa.

Curiosamente, eu sei bem o que isso é, e por isso gostei tanto de conhecer a história da Caminhos Cruzados! 😊

 

 

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