Eu disse que voltaria à Beira Interior no Verão e assim foi! Desta vez para conhecer as Casas do Juízo – Turismo Rural e a adega Dois Ponto Cinco – Vinhos de Belmonte

 

Silêncio… Se há uma palavra para descrever este lugar, essa palavra é Silêncio. Depois vem casa, aconchego, meio rural, ovelhas, figos, pôr do sol e boa gente. Tudo isto descreve muito bem o que é a aldeia e as Casas do Juízo – Turismo Rural.

Situada na região vitivinícola da Beira Interior – e já com vista para a região do Douro – está a aldeia do Juízo. Nesta aldeia granítica, onde os romanos deixaram a sua pegada, encontrei o turismo rural Casas do Juízo.

Há muito tempo que não sentia um silêncio tão intenso e acolhedor … nem via pessoas tão genuínas, e nem uma hotelaria que me fizesse sentir tão em casa!

Depois de uma vida a trabalhar na cidade e a viajar pelo mundo, José e Isabel lançaram-se a mais uma aventura: voltar à terra natal – aldeia do Juízo – para lhe dar uma nova vida.

Recuperaram grande parte das casas que estavam aos poucos a ficar desabitadas decorando-as de forma diferente e única. O que têm em comum é o ambiente acolhedor e familiar, bem integradas dentro da aldeia, com uma varanda ou pátio exterior onde se pode aproveitar a paz e sossego.

 

Mas não quero passar a ideia de que aqui não se faz nada! Podem claro ficar no dolce fare niente todo o dia – aconselho a piscina para esse efeito! – mas o turismo rural Casas do Juízo oferece actividades dentro e fora da aldeia para ocupar o nosso tempo.

Quando cheguei fui muito bem recebida pelo Sr. José que me levou, a conhecer todos os recantos da aldeia. Mostrou-me as casas de granito e os detalhes dos currais e galinheiros no rés do chão das casas – de forma a rentabilizar o espaço e aquecer o primeiro andar.

Vi o forno do pão com o seu ramo de flores secas à entrada a indicar que o forno estava a ser utilizado e os escritos milenares cravados nas pedras a indicar passagem dos romanos naquele lugar. Por fim o antigo lagar – claro, não há aldeia que se preze em Portugal que não tenha em algum momento produzido vinho.

Infelizmente não cheguei a horas de ajudar a fazer pão com as senhoras da aldeia – uma das actividades em que podem participar! – mas fui a tempo de o provar mais tarde na festa que se montou no largo do Juízo, com bacalhau, vinho, acordeões e muita dança até anoitecer!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O dia seguinte começou cedo com o Sr. José pronto para mais uma caminhada até ao Carrascal do Juizo.

Foram duas horas no meio de floresta, riachos, rochedos, muitos arranhões nas pernas mas muito ar puro, aromas silvestres, paisagem a perder de vista onde apenas a aldeia de Marialva se destacava no horizonte.

Dentro da aldeia existe também o restaurante Taberna do Juiz, onde Daniela e André servem os pequenos-almoços e refeições a pedido, com pão, azeite, requeijão local e, claro, um bom vinho da Beira Interior!

 

Não fazendo parte da Rede das Aldeias Históricas de Portugal, a aldeia do Juizo está muito perto da rota, e por isso, depois da minha visita ao Juizo, passei ainda pela aldeia de Belmonte.

E o que é que há em Belmonte? Vinho, claro está! Fiz uma visita à adega Dois Ponto Cinco – Vinhos de Belmonte.


Embora esta adega não esteja ainda preparada para receber visitas de enoturismo, recomendo vivamente que procurem os seus vinhos em algum restaurante ou garrafeira da região.

Foram cinco amigos de duas freguesias diferentes que se juntaram para produzir um vinho que bem representasse a região da Beira Interior.

E conseguiram fazê-lo com a ajuda do prestigiado enólogo Anselmo Mendes, utilizando as castas locais, plantadas em 60 hectares de solos graníticos, entre os 400 e os 700 metros de altitude.

  • Siria 2017 – Siria é uma das principais castas brancas da Beira Interior, muito floral nos aromas e fresca e mineral na boca
  • Vinho de Altitude 2015 – primeiros aromas bem fortes, fruta madura e a lembrar cabedal. Mas depois de uns momentos no copo, tudo muda e na boca revela-se frutado, elegante, macio e com um final persistente! Uma delícia!!
  • Vinhas Velhas 2015 – um vinho feito inteiramente a partir da casta Rufete, vinhas de 120 anos e por isso só é produzido em anos especiais. Um vinho com bastante personalidade onde se destaca a fruta madura, algum tabaco e lareira. Bom para acompanhar pratos de carne mais gulosos!

 

Como já disse aqui e aqui, há sempre boas razões para voltar à Beira Interior!

 

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