José Maria da Fonseca

Na adega da José Maria da Fonseca os vinhos envelhecem ao som de cantos gregorianos, será por isso que são tão bons?

 

Construída no século XIX, a Casa Museu José Maria da Fonseca foi a residência fixa da família Soares Franco até 1974. Aqui se produzem vinhos há cerca de 200 anos!

Na casa museu faz-se uma viagem no tempo. Ouvimos contar a história da família Fonseca desde que o fundador deu início à actividade vitivinícola em 1834, enfrentando os obstáculos e desafios de quem é pioneiro. Inicialmente o vinho era produzido e vendido a granel, e só mais tarde começou a ser engarrafado, sendo a adega a primeira a fazê-lo na região.

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Na Casa Museu existem três adegas de envelhecimento, mas uma delas, a Adega dos Teares velhos, foi a que me prendeu mais a atenção. Após atravessar um corredor estreito entre barricas e chão húmido, ao som de cantos gregorianos, deparamos com uma bonita garrafeira, trancada à chave, onde estão guardados moscatéis com mais de 100 anos.

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Foi nesta adega que ouvi pela primeira vez a história do ‘Moscatel Torna Viagem’, que se refere ao vinho moscatel que há mais de um século, viajava de barco até ao Brasil para ser vendido. O que sobejava regressava a Portugal, cruzando novamente a linha do equador, onde apanhava um clima quente e um mar revolto, ficando o vinho com uma qualidade bastante superior àquela com que tinha partido. Foi assim que José Maria da Fonseca percebeu que, o facto de não ter vendido todos os seus vinhos no Brasil, até não tinha sido mau de todo!

Hoje o Moscatel Torna Viagem ainda se encontra à venda em algumas garrafeiras exclusivas ou em leilões a preços bastante elevados…

Infelizmente nesta visita não provei esta relíquia centenária, mas não fiquei nada mal impressionada com dois vinhos em particular: o Moscatel Colecção Privada DSF, com Armagnac, e o branco Colecção Privada DSF Verdelho.

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