5 Minutos de Vinho
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EP21 - COMO SE LÊ UM RÓTULO DE VINHO?
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Por vezes as garrafas de vinho contém tanta informação que nem sabemos por onde começar. Hoje vou dar umas dicas de como ler rótulos de vinho!

VINHO QUE ACOMPANHA O EPISÓDIO: Quintas de Melgaço, Monção e Melgaço – Vinho Verde


O rótulo é, muitas vezes, o bilhete de identidade do vinho embora haja rótulos com muita coisa escrita, outros, quase nenhuma… Mas em todos há informação obrigatória que nos ensina um pouco mais sobre um vinho antes de o beber e nos ajuda a escolher o que comprar.

Existem especificações legais para cada país aqui falo essencialmente dos rótulos em Portugal, embora não seja muito diferente de outros países, vou-me referir apenas de vinhos de mesa, não de vinhos fortificados tipo Porto ou Madeira que isso é todo outro mundo, talvez um episódio só para rótulos de fortificados!

COMO LER UM RÓTULO DE VINHO

Logo na frente encontra-se:

Nome do Vinho em destaque ou ao mesmo nível do nome do produtor. O nome do vinho é também a marca, pois o mesmo produtor pode criar diferentes marcas, cada uma com um nome diferente.

Diz o ano de produção e para que não restem dúvidas, refere-se ao ano de vindima, não ao ano em que foi engarrafado ou que foi colocado no mercado.

Indica o país – neste caso Portugal – e a região de origem.

VINHOS DOC E VINHOS REGIONAIS

Dentro da região de origem podem encontrar as siglas DOC no caso de serem vinhos de Denominação de Origem Controlada.  Isso significa que todo o processo de produção é sujeito a um controlo rigoroso em todas as suas fases.

As castas utilizadas, os métodos de vinificação, as características organolépticas são alguns dos aspectos avaliados e cabe às Entidades Certificadoras efectuar o controlo. Isto acontece para garantir a genuinidade e qualidade dos vinhos.

Mas nem todos os vinhos são DOC e não quer dizer que tenham menos qualidade. Caso não sejam DOC, os vinhos podem ser regionais e aí encontram o termo “Vinho Regional Duriense” em vez de DOC Douro.

Vinho Regional é um vinho com indicação geográfica. Por vezes são produzidos em regiões DOC, mas como não respeitam algumas das regras de produção, não são catalogados como tal.

Por exemplo, num vinho regional é permitido incluir uma pequena percentagem de vinho proveniente de outras regiões, utilizar castas não autorizadas naquela região DOC ou encurtar os tempos de estágio.

E quando um vinho não diz região e apenas tem um selo a dizer IVV?

Se tiverem vinhos naturais em casa, por exemplo, encontram este selo. Significa que não tem denominação de origem nem indicação geográfica.

É um vinho não certificado, ou seja, não é sujeito a análise química nem prova organoléptica por parte dos organismos reguladores. Mas é legal, não se assustem!

Outra informação que consta no rótulo é o grau alcoólico pode estar na frente ou no verso. Quando se refere a vinhos tranquilos o grau varia entre 10% e 15% sensivelmente.

Assim como o conteúdo que normalmente é 0,75 cl nas garrafas standard, mas também já aqui no podcast falei das garrafas Magnum que têm 1,5 Lt e há muitos outros tamanhos, embora o tamanho que costumamos encontrar nas prateleiras é 0,75cl.

As castas, não sendo informação obrigatória, quase sempre são mencionadas. Pode ser na frente – especialmente se é um monocasta e o produtor quer dar destaque a esse detalhe – ou no verso se for blend.

No caso de vinhas velhas, tal como falei no episódio 9 normalmente não se sabe quais são as castas por isso não vão encontrar esta informação.

Outros termos que podem encontrar logo na frente do rótulo refere-se ao designativo de qualidade, isto é, Reserva ou Colheita (ou muitos outros que hoje existem que nem consigo enumerar todos aqui….) Mas Reserva e Colheita penso que são os mais comuns que encontrar.

VINHOS RESERVA E VINHOS COLHEITA

Por Reserva entende-se um vinho em que houve algum cuidado especial durante a colheita, seleção de uvas, vinificação e que passaram por algum período de amadurecimento em barris de carvalho e envelhecimento na própria garrafa.

Colheita são vinhos de gama de entrada, de consumo mais imediato, menos complexos e fáceis de beber. Comparativamente aos Reserva são mais baratos, claro que falando de vinhos dentro mesmo produtor.

Outra informação obrigatória é se Contém Sulfitos, e já expliquei aqui antes porque é que é tão importante mencionar a questão dos sulfitos.

Tudo isto são as informações mais institucionais do vinho, por assim dizer.

No verso do rótulo muitas vezes encontram a história do vinho ou do seu produtor ou notas de prova do enólogo – recomendo muito irem lendo as notas de prova, mesmo que depois ao provar não concordem, é interessante ir ganhando vocabulário vínico.

Tem frequentemente recomendação da temperatura de consumo assim como sugestões de harmonização com comida. O que é muito útil!

Tem sempre mais detalhes sobre o produtor e enólogo, lote, assim como selos de biológico ou vinho vegan, se for esse o caso.

Posso-vos dizer que há cerca de 10 anos quando comecei a gostar de vinho, ler rótulos das garrafas foi das coisas que mais me ajudou a perceber um pouco melhor este mundo! Recomendo-vos fazer o mesmo.

Um brinde a todos!

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