5 Minutos de Vinho
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EP 20 - O QUE É O TERROIR?
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Terroir é uma das palavras mais usadas quando se descreve um vinho, mas o que significa exactamente? Porque é que é tão importante? Neste episódio vão descobrir!

VINHO QUE ACOMPANHA O EPISÓDIO: DSF Riesling – José Maria da Fonseca, Trás-os-Montes


Apesar de, como comecei por dizer, o termo terroir se associar maioritariamente ao mundo dos vinhos, este conceito pode na verdade aplicar-se a todos os seres vivos! Sim, mas nos animais utiliza-se o termo “habitat” e nos humanos… hmmm… Chamamos-lhe a nossa “terra” talvez!

Penso que por esta comparação já dá para terem uma ideia do que é o terroir. É a origem de algo, são as características envolventes de um local que definem um ser vivo, que define o seu feitio, a sua personalidade e a forma como cresce e vive.

No mundo do vinho, esse ambiente natural chama-se Terroir.

Terroir é uma palavra francesa e que não tem propriamente uma tradução noutras línguas.

Significa um conjunto de fatores que influenciam o desempenho da vinha e consequentemente a qualidade da uva, que por sua vez leva a diferentes personalidades e perfis de vinho. Vinhos com uma qualidade, tipicidade e identidade únicas.

Quais são os factores que compõem um terroir?

Eu resumi a 5 factores que me parecem os mais relevantes:

1º CLIMA: determina as condições favoráveis ao desenvolvimento da videira. Se é um clima quente e seco, se é quente e húmido, se é frio e chuvoso, se é uma zona ventosa, etc…

2º SOLO: qual a sua textura e composição, se são solos bem drenados ou que alagam, a profundidade e geologia do solo, se têm água e que nutrientes proporcionam à videira…. No mundo existem inúmeros tipos de solo e só para vos dar alguns exemplos podemos ter solos arenosos, podem ser argilosos, solos de granito ou xisto, etc…

3º TOPOGRAFIA de uma região: ou seja, a altitude, relevo, ou seja, se é montanhoso ou planície, exposição solar, se a minha está virada mais a norte ou sul, se está perto ou longe do mar, são tudo condições que influenciam o estilo do vinho e a sua capacidade de amadurecer

4º PRÁTICAS CULTURAIS na vinha: Falo da forma de plantação, o compasso – que significa a distância a que se planta cada pé de videira – as diferentes podas – quais fazemos e como as fazemos – e escolha das castas, a condução da videira… 

Sobre condução da videira – e sem me querer estender muito sobre viticultura – é a forma como orientamos a vinha no seu crescimento.

A vinha é uma planta trepadeira que cresce muito e por onde houver espaço. O que se faz normalmente é controlar esse crescimento com ajuda das podas, claro, mas também dos arames e postes que seguramente muitos já viram se visitaram um vinha.

e último factor que acaba por ser o maestro de tudo isto, é O SER HUMANO. É verdade que os humanos não controlam a natureza, e nem sempre podemos escolher o sítios perfeito para plantar uma vinha, mas podemos tomar decisões de onde e como plantar e cuidar a vinha.

A intervenção humana é essencial pois compreende e interpreta os 4 factores anteriores e tenta encontrar a melhor solução para que a vinha se adapte ao meio onde está inserida e cresça se forma saudável e duradoura.

E um terroir não corresponde exactamente a cada região de vinhos, aliás, cada região de vinho tem dezenas ou centenas de terroirs diferentes.

Procurando um bom exemplo, apesar de muito específico é a região do Douro em que cada curva do rio tem diferentes exposição solar, diferente inclinação, há parcelas de vinha mais próximas do rio outras mais distantes lá no alto, grande maioria das vinhas são tratadas manualmente embora outras já permitam a entrada de tractores, etc… todos estes factores são determinantes para o resultado final do vinho.

Mas depois temos vinhas como as de Colares, vinhas plantadas em chão de areia, muito perto do mar numa zona bem ventosa e com humidade originando vinhos com acidez, vegetais e com excelente longevidade.

Ou, por oposição, vinhas na Vidigueira, uma zona de interior, muito quente e seca, solos férteis e planos. Aqui as uvas beneficiam desse calor e produzem vinhos encorpados, cheios de fruta e muito gastronómicos.

Esta variação de condições repete-se por todas as regiões vitivinicolas do mundo e por isso conseguimos ter tantos vinhos distintos e tão característicos da zona onde nascem.

Embora em Portugal e um pouco por todo o Velho Mundo, que é como quem diz Europa, mais importante que as castas que plantamos é como ou onde as plantamos, e isso sim define o tipo de vinho que nos chega à mesa.

Por tudo isto, o terroir, o habitat natural, a terra, como lhe queiram chamar é tão importante no mundo do vinho!

Um brinde a todos!

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