5 Minutos de Vinho
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EP 17 - MADEIRA E BARRICAS
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Vinho com madeira e barricas com tosta é o que há mais por aí e eu vou explicar tudo!

VINHO QUE ACOMPANHA O EPISÓDIO: Carlos Reynolds tinto – Reynolds Wine Growers, Alentejo

A questão da madeira no vinho é um assunto que deixa dúvidas a muita gente.

Antes de mais, começo por dizer que nem todos os vinhos têm madeira, muitas vezes até têm escrito no rotulo “sem barrica” ou em inglês “unoaked”… mas quer dizer exactamente que não tem madeira, apenas fruta.

Mas o que significa o vinho “ter madeira”?

No episodio 1 do podcast, quando expliquei como se faz vinho, disse que depois da fermentação alguns vinhos ficam uns meses a descansar nas cubas de inox e outros descansam, tecnicamente diz-se, fazer estágio ou estagiar, em barricas de carvalho.

Porque é que isto se faz?

Por duas razões essencialmente:

  1. por a madeira ser ligeiramente porosa permite uma subtil oxidação que ajuda a amaciar o vinho se ele tem taninos muito fortes
  2. para atribuir alguns aromas terciários característicos da madeira utilizada (sobre aromas terciários também já falei no episódio 8)

Existem vários tipos de madeira que se usam para estagiar o vinho mas o mais comum é o carvalho.

E dentro do carvalho, os dois mais usados são o francês e o americano. Só a titulo de curiosidade também se usa a madeira de Castanho, e também carvalho Húngaro ou mesmo Português.

O carvalho é a espécie mais utilizada, porque é mais flexível e moldável, é pouco poroso, e tem características aromáticas que variam de suaves às mais intensas, facilitando ao enólogo produzir vinhos com estruturas muito distintas, mas com as mesmas uvas.

Qual a influência dos diferentes tipos de madeira no vinho? 

Por crescerem em zonas tão distintas do globo as madeiras têm naturalmente aromas diferentes e esses aromas passam para o vinho.

O carvalho francês atribui aromas e sabores mais perto das especiarias (canela, cravinho, entre outras) enquanto o carvalho americano já transmite mais notas de baunilha, côco, caramelo ou até chocolate.

Se começarem a ler os rótulos dos vinhos vêm que muitas vezes indicam o tempo de estágio em madeira, pode ser no mínimo 6 meses, ou ir até aos 18 meses ou em alguns casos até mais que isso.

Também no rótulo às vezes tem indicação se é madeira nova ou usada. Madeira nova vai sempre dar mais sabor do que madeira usada como é obvio.

Pensem num armário de pinho acabadinho de comprar! Durante semanas o vosso quarto vai cheirar a pinho, mas depois de um tempo o cheiro desvanece. O mesmo se passa com as barricas de carvalho.

Existe também a questão da tosta que com certeza já ouviram falar e não tem nada a ver com pão!

A tosta é a queima da madeira no interior da barrica, na parte que está em contacto com o vinho. O tipo de tosta está relacionado com é a intensidade com que a barrica foi queimada.

Porque é que se queima a barrica?

Para haver diversidade de aromas, em vez de alterar o tipo de madeira basta mudar a intensidade da tosta.

Existem três níveis de tosta: tosta leve, média e a tosta forte.

Quanto mais intensa a tosta ou queima da madeira, mais sabor a fumado vai atribuir ao vinho (neste caso, claro, pois as barricas são usadas também bastante para whisky e outros destilados)

Tanto os vinhos brancos como os tintos podem estagiar em madeira. Mas o que faz o enólogo decidir colocar o vinho em madeira ou deixá-lo apenas em cuba de inox (antes de engarrafar)?

É uma opção de acordo com o estilo de vinho que se quer produzir um vinho mais frutado e fresco ou um vinho com mais corpo e com potencial de envelhecimento – ou ainda pelas castas que se utilizaram – pois como já falei antes há castas com mais taninos e que beneficiam de uns tempos em barrica para ficarem mais macias ao paladar.

A escolha do tamanho da barrica também é importante. O tamanho habitual que vemos quando visitamos adegas é a barrica de 225 litros, mas há também de 500 litros que se chama pipa ou barril, ou mesmo tonel ou balseiro que têm mais de 1000 litros.

A madeira deve dar corpo e complexidade ao vinho sem se sobrepor ao sabor original da fruta, ou melhor, da casta.

Então e os vinhos sem madeira têm menos qualidade e os com madeira têm mais qualidade?

Não, de todo! São estilos diferentes apenas e agradam gostos diferentes também!

Eu pessoalmente gosto de tintos com uma madeira muito subtil e brancos quase sempre gosto sem madeira nenhuma. Mas isto sou eu! Vocês têm que provar e descobrir qual o vosso estilo de madeira.

Se têm interesse em saber um pouco mais sobre barricas e madeira recomendo visitar uma das tanoarias – fábricas de barricas – localizadas no norte do país e aprender mais sobre este ofício difícil, mas muito importante no mundo do vinho!

Um brinde a todos e até ao próximo episódio!