quinta de santa cristina vinho verde
5 Minutos de Vinho
5 Minutos de Vinho
EP1 - COMO SE FAZ VINHO
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Achei que o primeiro episódio do podcast devia ser dedicado ao tema mais básico no que toca ao mundo do vinho: como é que se faz vinho?

VINHO QUE ACOMPANHA O EPISÓDIO: 1000 Curvas Red, 1000 Curvas, Vinho Verde

Primeira coisa a dizer: no mundo só existem dois tipos de uvas – branca e tinta – e que destas uvas produzem-se 3 tipos de vinho: branco, tinto e rosé. Então, mas e o vinho laranja e o vinho azul e o vinho verde? Ui…. Tudo coisas muito diferentes que fica para outros episódios que nada têm a ver com este.

Da uva branca faz-se vinho branco, da uva tinta faz-se vinho tinto, branco e rosé.

Vamos então por partes.

Vinho branco de uva branca. A uva chega à adega, vinda da vinha – depende da região, mas normalmente a vindima acontece à volta de Setembro. Na adega a uva é desengaçada, numa máquina que separa os bagos do engaço, ou seja, a parte verde. Os bagos seguem para a prensa onde são esmagados. Esse sumo segue para uma cuba de inox onde começa a fermentação – transformação do açúcar da uva em álcool.

A fermentação deverá ocorrer espontaneamente, mas é normal recorrer-se ao uso de leveduras para ajudar a este processo (quem faz pão em casa, percebe esta parte!)

Terminada a fermentação, deixa-se o vinho repousar para depois ser é filtrado e limpo porque neste processo há sedimentos e borras, que se formam. Depois é guardado em cuba até o momento do engarrafamento ou colocado em barrica de madeira para lhe dar um pouco mais de corpo e aromas ao vinho, de acordo com o tipo de vinho que o enólogo deseja fazer.

Mas fazer vinho branco com uva tinta também é possível fazer. Na verdade, o processo é exactamente o mesmo. Pois no vinho branco, o que fermenta é a polpa da uva e essa, é sempre branca, seja em que tipo de uva.

O que essencialmente distingue o vinho branco do tinto, é o contacto que o tinto tem com a pelicula ou pele da uva, e lhe dá a cor.

Portanto, como se faz vinho tinto? A uva tinta chega à adega e passa igualmente pelo desengaçador. Mas aqui o bago vai directamente para uma cuba de inox, onde a pelicula, polpa e grainha ficam a macerar e fermentar juntos.

Sobre os vinhos tintos há outro aspecto importante, a pelicula não serve só para dar cor, aliás, a pelicula e a grainha dão outra coisa ao vinho que se fala muito: os taninos. Os taninos sentem-se pela adstringência e aquela sensação de secura na boa, que em vinhos muito jovens pode ser desagradável, mas os taninos são fundamentais para dar estrutura ao vinho e garantir a sua longevidade.

Ainda durante a fermentação da uva tinta, é importante ir “mexendo” tudo o que está dentro da cuba, a parte sólida e líquida para homogeneizar os sabores e cor. Terminada a fermentação as massas ou partes sólidas vão à prensa para retirar todo o líquido que se foi formando.

Depois disto é igual ao vinho branco, é limpo e filtrado e guardado em inox ou em barrica de madeira.

Por fim os rosés. Os rosés juntam um pouco destes dois métodos. As uvas tintas são desengaçadas e os bagos passam para uma cuba de inox. Aí ficam apenas algumas horas para que o sumo ganhe um pouco de cor e taninos.

O tempo desta maceração é o enólogo que decide, caso queira um rosé mais escuro ou mais clarinho. Passadas essas horas, é separado o sumo das partes sólidas – a chamada sangria, quando se deixa apenas escorrer o sumo, sem prensar – e o sumo começa ou continua a sua fermentação noutra cuba de inox.

Vocês pensavam que o rosé era mistura de vinho branco e com vinho tinto? Enfim… não é de todo mentira e há locais onde se faz isso, mas esta é a prática mais comum em Portugal.

E está explicado, se forma muito sucinta claro, como se faz vinho.

Isto foram mais 5 minutos de vinho.

Um brinde a todos e até à próxima semana!