castas de portugal
5 Minutos de Vinho
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EP7 - CASTAS PARTE II
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Castas é um tema com pano para mangas e por isso um episódio apenas não ia ser suficiente. Aqui vai mais um pouco de informação sobre Castas de Portugal

VINHO QUE ACOMPANHA O EPISÓDIO: Taboadella Villae branco  – Quinta da Taboadella, Dão

Sendo Castas um tema com tanto para falar, decidi neste episódio responder a perguntas concretas que me têm colocado.

O que é um vinho frutado? Ou quais as melhores castas para quem gosta de vinhos frutados?

Bom, vinhos frutados na verdade são todos! Não nos podemos esquecer que a uva é uma fruta afinal de contas. Mas sim, o frutado está muitas vezes associado à sensação de doçura. E esta doçura pode sentir-se por duas razões: porque existe maior açúcar residual – ou seja, quando a fermentação acontece o açúcar da uva não se transforma em álcool a 100%. A pequena percentagem de açúcar que não se desdobrou em álcool é variável e chama-se açúcar residual. Outra razão porque o vinho nos parece mais doce é porque a casta em si tem características mais aromáticas e exuberantes e por isso transmitem a sensação de doce.

Mas nunca confundir um vinho frutado com vinho doce, explicarei mais sobre este último noutro episódio.

Para quem gosta de vinhos mais frutados então recomendo a procurar um vinho – blend ou monocasta – que tenham por exemplo Encruzado, Antão Vaz, Fernão Pires nos brancos e Touriga Nacional, Castelão ou Alicante-Bouschet nos tintos

Quais as melhores castas tintas para fazer monocastas?

Mais um vez é uma pergunta difícil de responder tendo em conta não só as centenas de castas que temos em Portugal mas também as inúmeras experiências de monocastas que os produtores têm feito recentemente e muitas delas com excelentes resultados.

Ainda assim, diria que em Portugal, as castas mais comuns para vinhos monocasta são a Touriga Nacional, a Baga ou mesmo Syrah, que não sendo uma casta autóctone do nosso país, já foi praticamente adoptada principalmente na região do Alentejo.

Se me perguntarem pelas castas brancas mais usadas em monocasta, eu penso que sem dúvida a norte é o Alvarinho, a casta rainha da região do Vinho Verde, mais abaixo no Dão temos o Encruzado e na região centro, mais concretamente Lisboa, usa-se muito o Arinto.

Outras castas talvez pelo seu perfil mais suaves ou com demasiada acidez ou com taninos mais agressivos, precisem da companhia de outra casta para o vinho resultar melhor e portanto são mais usadas em vinhos blend.

O que é a Negramole?

Eu gosto particularmente desta casta. A Negramole é uma casta autóctone do Algarve, facilmente se confuso com a Tinta Negra da Madeira, mas não são a mesma casta.

No Algarve a Negra Mole é uma casta com pouca cor no bago (por vezes nem chega a ficar totalmente tinta) e por isso depois no vinho tem menos concentração de cor e aromas. Por vezes confundidos com um palhete ou mesmo um rosé. Têm acidez, frescura mas aromas de frutos vermelhos por isso um bom tinto de Verão.

Há quem diga que este é o Pinot Noir português! Eu concordo, embora goste muito mais da nossa Negramole claro!

Moscatel é um vinho ou uma casta?

São ambas! Existem vários tipos de moscatel no mundo. Cá em Portugal os mais usados são o Moscatel de Setúbal – também chamado Moscatel de Alexandria – o Moscatel Galego e o Moscatel Roxo. Estas castas podem ser utilizadas não só em vinhos de mesa brancos no caso do Moscatel Galego ou o de Setúbal ou mesmo para fazer vinho rosé no caso do Moscatel roxo. Mas ambos são também utilizados para o famoso vinho Moscatel, esse sim oficialmente doce e um vinho doce e fortificado. Mas sobre vinhos fortificados prometo falar outro dia.

Não é fácil falar de castas em cinco minutos, portanto é possível que haja mais episódios sobre o tema.

Um brinde e até ao próximo episódio!