A Quinta Vale D. Maria estende o seu portfólio de vinhos com nova gama Douro Superior da Quinta Vale do Sabor


Diz a sabedoria popular que “de Espanha nem bons ventos nem bons casamentos”. Mas a Quinta Vale do Sabor é um bom exemplo do contrário.

Eu explico! Recentemente fui ao Douro, mais precisamente a Torre de Moncorvo, conhecer os novos vinhos da Quinta Vale D. Maria.

A Quinta Vale D. Maria começa nos anos 90 com Cristiano van Zeller, descendente da família mais antiga ligada ao vinho do Porto. A quinta está situada no Vale do Rio Torto na sub-região do Cima Corgo no Douro. Depois de passar por grandes casas como Quinta do Noval, Quinta do Crasto ou Quinta do Vallado, em 1996 Cristiano van Zeller, adquire a Quinta Vale D. Maria – que pertencia à família da sua mulher Joana Lemos há cerca de 250 anos.

Este é o início de um projeto pessoal, em que, graças à sua experiência na área, Cristiano identifica um grande potencial nas vinhas e nas terras, para produzir vinhos de exceção.

Há cerca de quatro anos, a Quinta Vale D. Maria foi adquirida pela Aveleda – ficando tudo literalmente em família pois ambos produtores de vinho são primos. A aquisição desta quinta por parte da Aveleda trouxe novidades e uma delas foi a Quinta Vale do Sabor.

Esta quinta nasce da junção de seis quintas diferentes, e, por essa razão, era chamada de “Seis Quintas”. O novo nome foi lhe atribuído em 2018, após se concluir que os vinhos ali produzidos refletem genuinamente a sua origem. Dada a sua localização ao longo de um dos mais belos afluentes do Douro, deu-se o nome de Vale do Sabor.

Mas afinal, que tem isto a ver com Espanha? Esta quinta na verdade já existia há uns anos. A adega e vinhas já estavam instaladas e os vinhos ali produzidos chegaram ao publico sob o nome de “Seis Quintas” e “Dois Vales” (talvez estes nomes lhe sejam familiares)

Pertencia a um grande empresário espanhol, um homem excêntrico, mas apaixonado pelo Douro. Em Torre de Moncorvo encontrou o seu pequeno paraíso onde plantou vinhas com castas autóctones do Douro e construiu uma adega que, para além de funcional e espaçosa, é um edifício muito elegante e bem enquadrado na paisagem.

Quando em 2016 a quinta foi colocada à venda, os bons ventos de Espanha fizeram-na chegar às mãos da Aveleda que viu na Quinta Vale do Sabor uma oportunidade de aumentar o portfólio da Quinta Vale D. Maria, agora no Douro Superior.

As vinhas desta quinta têm entre 10 e 35 anos, plantadas nas encostas do Vale do rio Sabor e do rio Douro. Aqui encontram-se castas típicas do Douro como a Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz mas também menos habituais como Baga e Alicante Bouschet. Nos brancos, mantém-se a tradição do Rabigato além do Viosinho e Arinto.

Fui de Lisboa ao Douro Superior só para ficar a conhecer a adega e os mais recentes vinhos – um branco e dois tintos – da Quinta Vale D. Maria.

Após um passeio pelas vinhas e visita a todos os cantos da vinha, manda a “tradição” sentar à mesa e provar o vinho. E sim, sentei-me à mesa, uma mesa linda montada numa varanda com vista, não para o rio mas sim para os incomparáveis socalcos do Douro. Mas não provei vinho, antes, fui surpreendida com uma prova… de uvas! Sim, provei 4 castas tintas plantadas na Vinha do Sabor: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Baga e Touriga Franca.

É importante conhecer a matéria prima, a origem dos vinhos, saber os seus sabores e texturas individualmente, que sem dúvida nos ajudam depois a perceber o que está dentro de cada garrafa. Uma experiência proporcionada por Francisca Van Zeller, relações públicas e filha de Cristiano van Zeller.

Finalmente a prova dos três vinhos lançados este ano:

Vale D. Maria Douro Superior 2018 – cor viva e brilhante, tem aromas a fruta vermelha – framboesas, mirtilos e amoras – juntamente com suaves notas de baunilha, devido a um estágio de 6 meses em barricas de carvalho francês. Com uma textura aveludada, este vinho intenso marca pelo seu final longo e profundamente fresco.

Vale D. Maria Vinhas do Sabor Branco 2019 é um blend de Rabigato, Viosinho e Arinto. O Rabigato dá-lhe a frescura, o Viosinho o carácter floral e o equilíbrio e o Arinto um perfil aromático e encorpado. Conta com 9 meses de estágio em barricas de carvalho francês, mantendo frescura e elegância.

Vale D. Maria Vinhas do Sabor Tinto 2017 – uvas inteiramente colhidas e selecionadas à mão. Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alicante Bouschet e Baga, são pisadas em lagares de granito, fermentam depois durante 7 a 10 dias a temperaturas controladas. Com estágio de 21 meses em barricas de carvalho francês, o nariz deste vinho é exuberante, destacando-se notas de frutas silvestres, amoras e um toque floral. A concentração e frescura em boca, anunciam um final fresco e longo.

Apesar dos vinhos da gama Douro Superior serem os protagonistas da minha visita à Quinta Vale do Sabor, não posso deixar de mencionar o excelente almoço tradicional que foi servido na adega e preparado pela Taberna do Carró, restaurante típico de Torre de Moncorvo.

Nem posso esquecer que, juntamente com as sobremesas, provei o Vale D. Maria Very Old Tawny Colheita Porto 1969 que na verdade, nem precisa de palavras para descrever, só beber e aproveitar em silêncio, olhando para a paisagem única do Douro!

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